Atividade Física

Atividade física diária, mesmo de baixa intensidade, está associada a menor risco de câncer

Estudo do NIH com mais de 85 mil adultos mostra que tarefas domésticas e caminhadas curtas já reduzem o risco de 13 tipos de tumor.

Por Equipe Código Saúde, Redação médica baseada em evidência · 2 min de leitura

Mover-se ao longo do dia — mesmo em atividades aparentemente triviais como tarefas domésticas, caminhar até o mercado ou subir escadas — está ligado a uma redução significativa do risco de câncer. É o que mostra um estudo prospectivo conduzido por pesquisadores do National Cancer Institute (NIH) e da Universidade de Oxford, publicado no British Journal of Sports Medicine em março de 2025.

O que foi estudado

Pesquisas anteriores já apontavam relação inversa entre atividade física e câncer, porém quase sempre baseadas em questionários autorrelatados, que tendem a superestimar o tempo gasto em atividades intensas e a ignorar movimentos leves do dia a dia. Este novo trabalho contornou essa limitação usando dados objetivos do UK Biobank: mais de 85 mil adultos (mediana de 63 anos) usaram acelerômetros de pulso por uma semana, registrando volume total, intensidade e contagem de passos.

Em seguida, os autores cruzaram esses dados com a incidência, ao longo de quase 6 anos de seguimento, de 13 tipos de câncer já associados ao estilo de vida — incluindo mama, colorretal, endométrio, esôfago e fígado.

Principais achados

  • 2.633 participantes foram diagnosticados com algum dos 13 tipos de câncer durante o acompanhamento.
  • Quem estava no quartil mais ativo teve 26% menos risco de desenvolver câncer em comparação ao quartil mais sedentário.
  • Substituir tempo sedentário por atividade leve (limpar casa, fazer compras a pé) já reduziu o risco — não era preciso atividade vigorosa para colher o benefício.
  • Para cada incremento na contagem diária de passos, o risco caiu progressivamente:
    • 5.000 passos/dia → referência
    • 7.000 passos/dia → −11% de risco
    • 9.000 passos/dia → −16% de risco
    • Acima de 9.000 passos, o benefício se estabiliza (efeito platô).
  • O ritmo dos passos (cadência) não fez diferença — o que importa é o volume.
  • As associações se mantiveram após ajuste para idade, sexo, IMC, tabagismo, álcool, dieta e comorbidades.

O que isso significa na prática

A mensagem central é poderosa para quem se sente intimidado por programas de exercício formal: todo movimento conta. Para um adulto sedentário, simplesmente trocar parte do tempo sentado por caminhadas curtas, atividades domésticas, jardinagem ou levantar-se a cada hora pode mover a agulha do risco oncológico em uma direção favorável.

Para o paciente que já pratica atividade moderada-vigorosa, a recomendação ganha um nuance: não negligencie o resto do dia. Oito horas sentado seguidas de 30 minutos na esteira não equivalem a um dia inteiro com atividade leve constante.

Limitações

  • Estudo observacional — não estabelece causalidade definitiva.
  • Atividade medida por uma semana apenas, presumida representativa da rotina habitual.
  • População do UK Biobank é majoritariamente branca e de classe média — generalização para outras populações requer cautela.
  • Tempo de seguimento de 5,8 anos é relativamente curto para certos tipos de tumor de evolução lenta.
Referência do estudo

Shreves AH, Small SR, Walmsley R, et al. Amount and intensity of daily total physical activity, step count and risk of incident cancer in the UK Biobank. British Journal of Sports Medicine. 26 mar. 2025.
DOI: 10.1136/bjsports-2024-109360
Comunicado oficial do NCI: cancer.gov

Adaptado e traduzido livremente por Código Saúde a partir do comunicado oficial do National Cancer Institute (domínio público).

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