Hormônios

Reposição de testosterona: onde estamos em 2025?

Revisão narrativa do Baylor College of Medicine resume o impacto do TRAVERSE e as novas opções terapêuticas para o homem hipogonádico.

Por Equipe Código Saúde, Redação médica baseada em evidência · 2 min de leitura

A reposição de testosterona atravessou a década 2015–2025 sob constante revisão de risco-benefício. Uma revisão publicada no Trends in Urology & Men's Health em dezembro de 2025 por equipe do Baylor College of Medicine resume o estado da arte: o ensaio TRAVERSE (2023) redefiniu o discurso de segurança cardiovascular e o arsenal terapêutico se diversificou consideravelmente.

Por que o TRAVERSE foi divisor de águas

Por mais de uma década, o uso de testosterona em homens com hipogonadismo carregou um alerta da FDA sobre possível aumento de eventos cardiovasculares, baseado em estudos observacionais e em uma revisão de segurança de 2014. O TRAVERSE — ensaio randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, com cerca de 5.200 homens hipogonádicos com risco cardiovascular elevado — mostrou que a reposição com gel transdérmico de testosterona não foi inferior ao placebo no desfecho composto MACE (morte cardiovascular, infarto e AVC) ao longo de aproximadamente 33 meses de seguimento.

O resultado deu aos médicos um respaldo de evidência que faltava: tratar o paciente sintomático com hipogonadismo confirmado não é, em si, uma intervenção cardiovascularmente perigosa. Sinais de alerta isolados (fibrilação atrial, embolia pulmonar e lesão renal aguda discretamente mais frequentes) seguem em discussão e justificam vigilância clínica.

O que mudou na prática

  • Diagnóstico: confirmação por duas dosagens matinais de testosterona total baixa, associadas a sintomas compatíveis (libido reduzida, fadiga, disfunção erétil, perda de massa magra, alterações de humor).
  • Triagem antes de iniciar: hematócrito, PSA, lipidograma e avaliação cardiovascular completa.
  • Opções terapêuticas: géis e adesivos transdérmicos, soluções axilares, formulações orais de nova geração (testosterona undecanoato), pellets implantáveis, intranasal e injetáveis (cipionato, enantato, undecanoato de longa ação).
  • Monitoramento: re-dosagem em 3-6 meses, controle de hematócrito (suspender se > 54%), PSA seriado.
  • Fertilidade: testosterona exógena suprime espermatogênese; em homens com desejo reprodutivo discutir alternativas (citrato de clomifeno, hCG).

Pontos de cautela

  • O TRAVERSE estudou predominantemente gel transdérmico; extrapolação para outras vias é razoável, mas não automática.
  • Excluídos do TRAVERSE: pacientes com câncer de próstata ativo, IAM/AVC recente, ICC descompensada — esses cenários permanecem fora do envelope de segurança demonstrado.
  • Aumento discreto de fibrilação atrial e tromboembolismo pulmonar exige conversa de risco-benefício individualizada.
Referência do estudo

Walia A, Coady P, Sofia-Hernandez B, Gudlavalleti H, El-Achkar A, Dunnam SE, Madhusoodanan V, Kohn TP, Khera M. Testosterone Replacement, Where Are We in 2025? Trends in Urology & Men's Health. 2025;16(6):e70016.
DOI: 10.1002/tre.70016 — artigo open access.

Resumo editorial em português elaborado por Código Saúde a partir do título, autores e descrição oficial publicados pela Wiley. Para informações clínicas detalhadas (doses, posologia, ajustes), consulte o artigo original.

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