Hormônios
Terapia de testosterona no homem adulto com hipogonadismo: o que mudou na última década
Correspondência publicada na European Urology em dezembro de 2025 sintetiza a virada de paradigma no manejo da deficiência androgênica.
A deficiência de testosterona afeta uma fração significativa de homens adultos e está associada a consequências que vão muito além da vida sexual: humor, sono, composição corporal, densidade óssea e marcadores cardiometabólicos. Uma correspondência publicada na European Urology em dezembro de 2025 reforça que a abordagem clínica desta condição passou por uma reformulação importante na última década.
Quando suspeitar
O quadro clínico clássico combina sintomas e sinais com testosterona sérica baixa confirmada:
- Sintomas sexuais: queda de libido, disfunção erétil, redução das ereções matinais.
- Sintomas físicos: fadiga, perda de massa muscular, ganho de gordura visceral, redução do desempenho físico.
- Sintomas psicológicos: humor depressivo, irritabilidade, dificuldade de concentração.
- Achados laboratoriais: testosterona total < 300 ng/dL em pelo menos duas dosagens matinais (entre 7h e 11h), com FSH/LH avaliando se a origem é primária (testicular) ou secundária (hipotálamo-hipofisária).
O que mudou na última década
- Evidência cardiovascular robusta: o ensaio TRAVERSE (2023) mostrou não-inferioridade do gel de testosterona vs. placebo no desfecho MACE em homens hipogonádicos com risco cardiovascular elevado. Isso retira o estigma de "tratamento perigoso para o coração" que pesava desde 2014.
- Mais formulações disponíveis: além dos clássicos injetáveis e géis, hoje há testosterona oral undecanoato aprovada, soluções axilares, sprays nasais e undecanoato injetável de longa ação (a cada 10–14 semanas).
- Diretrizes harmonizadas: AUA, ES, EAU e SBU convergiram em recomendações claras quanto a triagem (hematócrito, PSA, lipidograma), monitoramento e suspensão.
- Atenção à fertilidade: pacientes que desejam concepção devem evitar testosterona exógena — preferir citrato de clomifeno, hCG ou inibidores da aromatase conforme o caso.
Limites e cautelas
- Não tratar com testosterona o homem assintomático mesmo com nível baixo isolado.
- Contraindicações absolutas: câncer de próstata ativo ou de mama, hematócrito basal > 50%, ICC descompensada, IAM/AVC recente.
- Re-dosagem trimestral no primeiro ano (testosterona, hematócrito, PSA), depois anual.
Referência
Testosterone Therapy in Adult Males with Hypogonadism. European Urology. Correspondência publicada em 24 de dezembro de 2025.
DOI: 10.1016/j.eururo.2025.12.015
Resumo editorial em português elaborado por Código Saúde com base na descrição oficial do artigo. Decisões clínicas devem se apoiar na leitura integral da publicação e em diretrizes nacionais.
Comentários
Entre para deixar um comentário.
Seja o primeiro a comentar.